Desenvolvimento de competências em informação para dinamização das bibliotecas





A biblioteconomia digital apresenta muitas faces, algumas relacionadas aos softwares adotados no país e no mundo para automatização dos serviços de uma biblioteca, aplicação de ferramentas para implementar uma biblioteca digital e também pode ser balizada por recursos tecnológicos para tratamento, uso e gestão de uma unidade de informação, entre outros. 

Além disso, a biblioteconomia digital também se relaciona aos serviços e recursos implantados em uma unidade de informação com o uso da tecnologia  e outros aparatos eletrônicos com o objetivo de dinamizar uma unidade de informação e fazê-la mais presente no cotidiano escolar. 

Neste texto, irei focar exatamente neste ponto da dinamização das bibliotecas e desenvolvimento de atividades que buscam tornar os alunos (e professores) cada vez mais aptos e competentes no uso da informação.

Muito tem se falado na literatura e em eventos da área sobre competência em informação e a partir deste mês (janeiro/2015) vou manter neste Blog algumas reflexões sobre a competência em informação alinhada a biblioteconomia digital. 

É importante ressaltar que o termo competência em informação (information literacy) surgiu na década de 70 nos Estados Unidos e vem ganhando novos significados, finalidades e está ampliando sua abrangência frente às diferentes habilidades e necessidades no uso de informação, conhecimentos em fontes, recursos, suportes de informação para aplicação na compreensão e disseminação da informação visando à construção e compartilhamento do conhecimento. 

ALA (2000), Caregnato (2000), Dudziak (2003), Campello (2003),IFLA (2008), UNESCO (2008), Vitorino e Piantola (2009), Belluzzo(2010), Gasque (2013) são algumas referências nacionais e internacionais que apresentam reflexões, discussões e diretrizes que permeiam e sedimentam a temática de competência em informação.

A competência em informação se resume a estar apto para buscar/usar/avaliar/selecionar uma informação em diversas fontes e recursos disponíveis atualmente para poder interpretar, sintetizar, resumir, construir novos conhecimentos e mudar o contexto em que vivem e as mudanças que as pessoas desejam para sua vida, sua família, seu bairro e seu país. 

É premente observar que a IFLA responsabiliza os bibliotecários ao propor que devemos planejar e implementar ações que desenvolvam a competência nas pessoas. O desenvolvimento da competência em informação deve ter um lugar durante toda a vida dos cidadãos e, especialmente, em seu período de educação, momento em que os bibliotecários, como parte da comunidade de aprendizagem e como especialistas na gestão da informação, devem ou deveriam assumir o papel principal no ensino das habilidades em informação (IFLA, 2008).

Nesta conjuntura, a biblioteconomia digital apresenta expressiva contribuição para a competência em informação e justifica o uso dos recursos tecnológicos pelos bibliotecários para criar estratégias para desenvolver meios para as pessoas se tornarem competentes em informação. 

Inicialmente, é preciso colocar essas atividades e motivações no papel (ou na tela do computador) em forma de um projeto para sistematizar as ideias e facilitar a busca de parcerias e captação de recursos. 

Partindo dessa premissa, antes de começar a escrever o projeto é necessário realizar uma investigação para ter um diagnóstico do ambiente interno e externo. Por exemplo, numa escola é importante  fazer uma pesquisa informal com professores, alunos e demais interessados na escola para diagnosticar a situação e ver quais eventos e ações teriam maior interesse e demanda por parte da escola.

Com essa pesquisa em mãos, você pode ainda acessar documentos importantes que norteiam o trabalho da escola como relatórios anuais de atividades, projeto pedagógico e outros que  ajudarão a criar um diagnóstico em relação às ações existentes na escola e assim poderão ser propostas atividades alinhadas à missão, atividades e objetivos educacionais da escola.

Com base nestes dois instrumentos (pesquisa com as pessoas e nos documentos) infere-se que poderá ter um bom diagnóstico para elaborar um projeto de acordo com a realidade, infraestrutura e interesses da instituição.

No caso abaixo, vou usar uma escola para exemplificar como esse projeto poderia ser estruturado:

Divida o projeto em 5 capítulos a saber:
  • No primeiro capítulo é bom que tenha uma contextualização da escola logo na introdução e apresente teus objetivos, metas, pesquisas que tratam do objeto que você irá desenvolver e informações relevantes sobre o que se propõe. 
  • Depois no segundo capítulo apresente uma boa justificativa sobre a biblioteca inserida neste meio e como ela poderá contribuir com a qualidade na educação, serviços prestados pela escola e ser um ambiente de aprendizagem que dará suporte aos professores no ensino e também na construção do conhecimento dos alunos. Faça tudo muito bem fundamentado e cite pesquisas que tratem disso. Aponte como a biblioteca numa escola pode ser um diferencial competitivo e agregar na formação social, escolar e educacional dos alunos para que estejam mais preparados para a sociedade e mundo do trabalho com uma formação mais crítica, reflexiva e ética. 
  • No terceiro capítulo apresente a metodologia (recursos financeiros, materiais, humanos, etc) mas não exagere nos recursos financeiros pois mostrar valores antes de mostrar resultados pode afastar a escola de você, ainda mais se for uma escola particular..... Mas cuidado! Mesmo que vc gaste mais depois, agora coloque um valor preliminar para os custos básicos e informe que você vai captar recursos de outras formas como parcerias com outras instituições como Secretaria de Educação, outras escolas, SESC, etc. e buscar convênios com empresas e órgãos de cultura para fazer os eventos, participar de editais de cultura, etc. Ainda neste capítulo, apresente um cronograma apontando prazos, atividades, setores responsáveis de cada ação, professores e disciplinas que poderão dar apoio nas ações, etc. 
  • No quarto capítulo descreva as atividades, apontando a importância e objetivo de cada uma, faça uma atividade por mês, de preferência alinhada aos conteúdos abordados nas disciplinas para aquele período, relacionado a datas comemorativas e tente envolver a maior quantidade de alunos possível. Por exemplo, se tem três turmas do quinto ano estudando naquele bimestre a importância da água, faça uma ação em parceria com o professor de Ciências e de Geografia para uma atividade interdisciplinar e elabore com eles o planejamento desta atividade para que eles se tornem parceiros da biblioteca e se sintam valorizados. Além disso, o trabalho colaborativo e interdisciplinar é sempre a melhor saída e você como bibliotecário vai ganhar muitos pontos. Para ter algumas ideias, veja o livro  "Como usar a biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensino fundamental" tem várias dicas de atividades que podem ser implantadas e adaptadas em diferentes níveis escolares do ensino infantil ao médio, EJA, etc. 
  • E por fim, no quinto capítulo apresente os resultados esperados e metas que desejas alcançar para cada atividade cumprida, como será a avaliação das atividades e indicadores para cada ação proposta.

É premente observar que neste momento o mais importante é conhecer a escola por meio do diagnóstico e elaborar o projeto em parceria com professores para sistematizar o que precisas e colocar as ideias em ordem. A partir disso, o bibliotecário terá as cartas na manga para explicar o que se trata a competência em informação e  organizar as atividades de forma interdisciplinar e colaborativa com demais profissionais visando desenvolver as competências em informação nos alunos e também nos professores da escola usando os recursos pedagógicos e tecnológicos da instituição.

No próximo texto vou apresentar mais reflexões e atividades práticas que ajudam a desenvolver a competência em informação e ressaltar o valor da biblioteca e do bibliotecário neste contexto.




                                

Dani Spudeit

Sobre Mim 

Pesquisadora e professora no curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) na área de gestão de unidades de informação, atualmente exerce o cargo de Coordenadora do curso de Licenciatura em Biblioteconomia na mesma universidade. Possui mestrado em Ciência da Informação (UFSC), especialização em Gestão de Unidades de Informação (UDESC), especialização em Didática do Ensino Superior (SENAC), bacharelado em Biblioteconomia (UFSC) e licenciatura em Pedagogia (UDESC). Atua na avaliação de trabalhos em eventos e em revistas, é tutora em cursos na modalidade EAD na área de Biblioteconomia e atuante no movimento associativo.



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