Produtividade sem citação: um modelo de artigos mudos - Aldo de Albuquerque Barreto


O que torna um indivíduo um autor é um conjunto de condições capaz de aproximar seu discurso a uma comunidade de leitores e estabelecer elos entre eles no tempo e no espaço. Por isso, Foucault diz que as condições de identificação da autoria se constituem de forma constante e universal em todos os discursos. Ao que Barthes acrescenta: “O autor é reputado o pai e proprietário de sua obra e ao respeitar o escrito e as intenções do autor a sociedade postula uma relação do autor com a sua obra”. Um autor produz para ser lido e a quantidade e qualidade de sua reflexão escrita varia para cada indivíduo e seu contexto.

Uma questão relevante sobre avaliação é que não é possível medir-se competência através de métricas de produtividade quando os indivíduos são diferenciados. Quando os recursos de vivência, tempo, energia, densidade de produção científica e citações recebidas são diferentes devem ser usadas métricas que valorizem a competência e não métricas que meçam a produtividade do indivíduo no ano. De outro modo seria como medir a competência pela altura de um grupo de indivíduos e depois concluir que os que ficaram nas primeiras posições são os mais gordos.

A cultura de medição da produtividade do docente e pesquisador baseada na publicação de artigos em periódicos deturpa sua condição de competência: o de seu passado histórico, sua liderança em pesquisa e a qualidade de professar disciplinas. A produtividade não incorpora os índices de citação dos textos depois de publicados. Resta avaliar o que tem mais qualidade: um artigo com grande citação contabilizada pós-publicação ou dez artigos produzidos, na ânsia de angariar pontos, e que jamais serão citados, talvez sequer lidos, formando um entrave à comunicação cientifica.


Fonte : Revista Data Grama Zero

0 comentários:

Visitas

Tecnologia do Blogger.