Controle Bibliográfico Universal: aspectos e instrumentos



Desde que iniciou como programa da Unesco na década de 70, o Controle Bibliográfico Universal tem-se valido principalmente de três instrumentos: o depósito legal, as bibliografias e os formatos de intercâmbio de dados bibliográficos.

No Brasil, a operação destes três instrumentos é de competência da Fundação Biblioteca Nacional, que encontra algumas dificuldades para dar conta das tarefas. Tais dificuldades, em sua maioria, são decorrentes de problemas estruturais e financeiros.

Do mesmo modo, as dimensões do país também dificultam o atingimento do sucesso do controle bibliográfico.

Instrumentos de Controle Bibliográfico


O Depósito Legal

Lei 10.994 que prevê o envio de um ou mais exemplares de toda publicação
editada e/ou distribuída no país à Biblioteca Nacional.
A finalidade é a de registro e guarda da produção intelectual do país, bem como a elaboração da bibliografia brasileira – ou seja, em última análise, o controle bibliográfico da produção editorial em âmbito nacional.

Bibliografia Brasileira

O “Boletim bibliográfico da Biblioteca Nacional”, criado em 1918, sobreviveu até 1982 com o mesmo título; passou então a chamar-se “Bibliografia brasileira”, e assim permaneceu até 1995 quando, por problemas operacionais, a publicação impressa foi suspensa.

Formatos de intercâmbio de dados

Uma maior união em torno das mesmas regras foi conseguida com a publicação dos códigos de catalogação da American Library Association (ALA), a primeira edição em 1908 e a segunda, amplamente revisada, em 1949. Somente depois de várias discussões entre Estados Unidos e Inglaterra, e tentando aproximar-se dos Princípios de Paris (estabelecidos na Conferência Internacional sobre Princípios de Catalogação em 1961), foi que surgiu o Código de Catalogação Anglo-Americano (AACR), em 1967.

Em 1969, na Conferência de Especialistas em Catalogação de Copenhague, o primeiro passo foi dado rumo aos Padrões Internacionais de Descrição Bibliográfica (ISBD), estabelecendo-se grupos de trabalho para o desenvolvimento dos ditos padrões para diversos suportes documentais. O primeiro padrão a ser lançado foi o de monografias, dito ISBD(M), em 1971.A criação dos ISBDs obrigou, de certa forma, a revisão e convergência das regras do AACR.

Assim, em 1978, foi publicada a segunda edição do Código de Catalogação Anglo-
Americano, um conjunto de normas de catalogação seguido em grande parte das bibliotecas até hoje. Entretanto, o modelo revela-se paulatinamente defasado a partir da automatização do processamento técnico documental e aumento dos suportes de informação – em especial o surgimento dos suportes digitais.

Nem as sucessivas revisões de 1988, 1998 e 2002 foram capazes de adequar as regras às novas necessidades das unidades de informação.

Era preciso, então, repensar a prática de catalogação. A perspectiva dada pelo conjunto dos novos requisitos funcionais sugeria que o próprio nome do código deveria ser mudado, uma vez que essa nova visão, mais global, do processo técnico exigia uma mudança de postura do profissional catalogador. Foi então que o Comitê para a Revisão do AACR2 apostou num novo nome para as regras, apontando para normas mais modernas e compatíveis com a atual diversidade de suportes informacionais.

O RDA

o RDA (Resource Description and Access), sucessor do Código de Catalogação, começou a ser delineado em 2006 e trouxe não só instruções para a descrição física dos itens como para a representação temática.


Material para Leitura Complementar

Fonte:

GRINGS, Luciana; PACHECO, Stela. A Biblioteca Nacional e o Controle Bibliográfico Nacional: situação atual e perspectivas futuras. InCID: Revista de Ciência da Informação e Documentação, Ribeirão Preto, v. 1, n. 2, p. 77-88, jul./dez. 2010. Disponível em: http://revistas.ffclrp.usp.br/incid/article/view/19/pdf Acesso em: 26 mar. 2012.

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